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  • Como é ser cego, já pensou?

    Como é ser cego, já pensou?

    Imagem em preto e branco de uma mulher jovem cujos olhos estão tampados pelas mãos de outra pessoa, que está atrás dela.
    Imagem em preto e branco mostra um rosto de mulher em primeiro plano. Ela está com os olhos tampados pelas mãos de outra pessoa, em segundo plano. Foto: Ryoji Iwata/ Unsplash

    Acho que todo mundo já imaginou, em algum momento, como é ser cego. Pode ter sido por conta das brincadeiras infantis de cabra-cega, de algum filme sobre o tema –como Ensaio Sobre a Cegueira, baseado no excelente livro de José Saramago–, ou por conhecer alguém que tenha essa condição. 

    Quando praticamos a alteridade, nos colocando no lugar do outro que é diferente, damos o primeiro passo para o exercício do respeito e civilidade. Afinal, quem quer ter sua individualidade respeitada, precisa, antes, respeitar a individualidade do outro.

    Mas alteridade também é, segundo a antropologia, o meio pelo qual é possível enxergar nas outras culturas as suas especificidades, evitando o prejulgamento. Isso é importante para evitar o etnocentrismo, a exploração de outros povos. E em última instância, para ajudar a garantir a coesão social

    Coloco essas questões aqui por causa do óbvio esgarçamento social que estamos testemunhando no Brasil, nos EUA, e em outros países, fruto de governos que flertam, em maior ou menor grau, com ideologias fascistas. E também em função do desmonte de políticas públicas de educação inclusiva por parte do governo federal brasileiro, em 2020. 

    Mais do que nunca, precisamos cultivar a alteridade, assim como a empatia, para sensibilizar a sociedade, pressionar os políticos, e garantir dos direitos constitucionais das pessoas com deficiência.

    Convido a todos, então, a ler o texto “Ser cego é ter orgulho de minha forma de sentir o mundo”, de Filipe Oliveira, publicado no blog Haja Vista, na Folha de São Paulo, em 13 de dezembro. O relato pessoal do jornalista com baixa visão, em tom poético e agridoce, revela nas entrelinhas muito sobre como encaramos a deficiência alheia. Além de ser um texto muito bem escrito.

    Abaixo, você confere alguns trechos.

    Ser cego é andar no escuro em um mundo que não foi preparado para você se locomover com segurança. Na verdade, é viver em um mundo que foi construído sem levar você em consideração. E, mesmo assim, se sentir culpado quando tropeça, se perde ou esbarra em alguém.

    É andar pela rua e muitos terem piedade de você, distribuírem santinhos, orações e palavras de encorajamento. É ser abordado por um homem que se diz ex-presidiário e que ao mesmo tempo em que pede dinheiro, se pergunta se é pecado tomar esmola de alguém com deficiência.

    Ser cego é criar rostos imaginados na mente, não saber muito bem quem tem barba, bigode ou cavanhaque, quem é branco ou negro, japonês ou loiro, careca ou cabeludo. É gostar de alguém e pedir que um amigo ou amiga descreva seu rosto.

    P.S. Quem não tem acesso ao conteúdo pago da Folha de SP pode ler o texto no link do Web Archive. Link: Ser cego é ter orgulho de minha forma de sentir o mundo, de Filipe Oliveira.

  • Legendas acessíveis para redes sociais, por que usar

    Legendas acessíveis para redes sociais, por que usar

    Sua empresa é inclusiva? O conteúdo que você publica na internet pode ser acessado por milhões de pessoas com deficiência? As legendas acessíveis para redes sociais são um recurso fácil de implementar que pode fazer a diferença para um grande número de pessoas cegas ou com baixa visão.

    Provavelmente, você já passou pela experiência de acessar um site que não funciona direito, seja por causa de imagens “quebradas”, links que não levam a lugar algum , ou diagramação confusa. É frustrante, concorda? Agora, imagine se isso acontecesse na maioria dos sites que você visita. Como você se sentiria? Pois essa é a realidade atual para 45 milhões de pessoas com deficiência, no Brasil. Explico.

    Uma pesquisa feita pelo Movimento Web Para Todos e pela plataforma de dados BigDataCorp, divulgada em maio de 2020, analisou mais de 14 milhões de páginas web registradas no Brasil. E verificou que 93,6% dos links, e 55,19% dos formulários inseridos nos sites analisados, apresentam algum problema de acessibilidade.

    Apenas 0,75% dos sites brasileiros passaram em todos os testes de acessibilidade. O mesmo levantamento, feito em 2019, indicava 0,61%. Ou seja, houve uma evolução, embora mínima.

    Se há algo a se comemorar é que, hoje, apenas 0,01% dos sites ‘zeraram’ em absolutamente todos os testes aplicados, contra 5,6% no ano anterior. Os dados indicam, ainda, uma leve melhora de acessibilidade nos sites governamentais. Na primeira auditoria, 99,66% deles acusavam algum problema de acessibilidade, contra 96,71% da análise atual.

    Já os problemas de acessibilidade nas imagens giram em torno de 83% em todos os setores analisados. “Esse dado é muito chocante para nós, pois é um dos problemas mais simples e rápidos de serem resolvidos e que faria muita diferença na vida dos cerca de 6,5 milhões de pessoas cegas ou com baixa visão no nosso país”, aponta Simone Freire, idealizadora do Movimento Web para Todos.

    Legendas acessíveis para redes sociais

    Para que um site seja considerado acessível, ele precisa atender a uma série de características técnicas que podem ser encontradas nas Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.1. Assim como nas Cartilhas de Acessibilidade da W3C, que examinam as questões da acessibilidade de forma abrangente. Não vou me deter nesse assunto agora. Quero, antes, falar sobre as legendas acessíveis para redes sociais. E em especial, sobre as legendas para imagens.

    Pessoas com deficiência acessam a internet de maneira particular, utilizando dispositivos de tecnologia assistiva de acordo com suas necessidades. Alguns exemplos são: leitor de tela, navegador por voz, ampliador de tela e teclados alternativos.

    Uma pessoa cega, por exemplo, pode navegar na web utilizando um leitor de tela como o Voice Over (iOS) ou TalkBack (Android) –softwares que capturam as informações de texto transformando-as em áudio através de um sintetizador de voz. Essa tecnologia ajuda muito, mas quando encontra uma imagem, não consegue decifrá-la. Para contornar o problema é preciso que as imagens venham acompanhadas de legendas acessíveis. Elas são diferentes das legendas de texto usadas normalmente, que fazem um comentário complementar às imagens.

    A legenda acessível precisa ser redigida de acordo com diretrizes específicas que condizem com seu objetivo: descrever as imagens de forma objetiva, para dar contexto ao post.

    Da Hashtag ao Texto Alt

    Por volta de 2012, nas redes sociais, perfis preocupados com a inclusão digital passaram a adotar a hashtag #PraCegoVer (e outras similares como #timelineacessível, #acessível, e #PraTodosVerem) seguida de uma legenda acessível, em suas publicações.

    Algum tempo depois, redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn, passaram a disponibilizar o recurso Texto Alternativo (também descrito como Texto Alt) nas imagens. Na verdade, a funcionalidade já existia em algumas redes, com a função de substituir uma imagem quando ela não era carregada. A novidade é que o algoritmo das plataformas passou a fazer uma descrição automática de acordo com os objetos contidos na imagem. No entanto, a qualidade não é suficientemente boa, e as legendas acessíveis precisam ser reescritas manualmente. Esse é um campo de trabalho novo, muito interessante, a que tenho me dedicado.

    O Texto Alternativo, seja gerado automaticamente ou editado manualmente, fica visível apenas para os leitores de tela. Mas você deve ter reparado que muitos perfis de redes sociais incluem a legenda acessível no textos dos seus posts, geralmente usando hashtags como #PraCegoVer e #PraTodoMundoVer. Isso é redundante mas aceitável, uma vez que sinaliza para as pessoas sem problemas de visão, a importância da acessibilidade na internet. Ou seja, as hashtags de acessibilidade podem ser usadas, mas é essencial preencher corretamente o campo de Texto Alt.

    Em resumo, as legendas acessíveis são elementos fáceis de implementar, com custo acessível e que, de quebra, podem ajudar no SEO da marca. Nada mal, praticar inclusão e ainda ficar bem posicionado em buscas por palavra-chave, né?

    Você pode acessar a íntegra dos dados da pesquisa em: https://mwpt.com.br/numero-de-sites-que-falham-nos-testes-do-web-para-todos-cai-mas-ainda-preocupa/

  • Resistência cultural nas fotos de Ngadi Smart

    Resistência cultural nas fotos de Ngadi Smart

    Uma matéria do British Journal of Photography chamou minha atenção para o trabalho de Ngadi Smart. A artista visual, ilustradora e fotógrafa, é natural de Serra Leoa (país da África Ocidental) e está radicada entre Londres (Reino Unido) e Abidjan (Costa do Marfim).

    Ngadi Smart é uma das finalistas do prêmio Portrait of Humanity 2020, um concurso global de fotografia que “nasceu com a missão de provar que há mais coisas a nos unir do que a nos separar”. A iniciativa é da 1854 Media –organização de mídia digital responsável pelo British Journal of Photography.

    “Latitude” 5°13′32.5.″ N, 3°45′17.5″ W, é o título da série de fotos que participa do prêmio, publicada originalmente na revista Atmos. Ela contrapõe modelos usando roupas e acesssórios sustentáveis, feitos por estilistas locais, a cenários decrépitos da cidade de Grand-Bassam, Costa do Marfim.

    Gostei especialmente do contraste da arquitetura colonial francesa, em ruínas, com as cores exuberantes das roupas e os acessórios indígenas, que sinalizam a resistência dos povos originários, como os Nzima.

    “Os povos indígenas compartilham uma relação espiritual, cultural, social e econômica com suas terras tradicionais”, diz Smart. “Mas com a falta de investimento em infraestrutura ambiental, o futuro de pequenas comunidades e culturas como esta está ameaçado – e isso acontece em todo o mundo.”

    Reproduzo aqui a ficha técnica do trabalho, compartilhado pela autora em seu instagram:

    Thanks to @studio191ny
    @lauragenninger @nachosyortega @sarazion for entrusting me with this.
    Photography and styling: @ngadismart
    Designer: @kamder @oloohconcept
    Wicker hat creation: Coulibaly Salya
    Flower pieces creation: Jean-Baptiste Kiemtore
    Models: @freddy_able Saadia from @kwayomodels
    Photo Assistant: Charles Bley Bedi .

  • NUNO: tecidos sustentáveis, inovadores e poéticos

    NUNO: tecidos sustentáveis, inovadores e poéticos

    Em setembro de 2019, a Japan House São Paulo apresentou a exposição NUNO – POÉTICAS TÊXTEIS CONTEMPORÂNEAS, com os tecidos sustentáveis, inovadores e poéticos da designer japonesa Reiko Sudo.

    Desde 1994 à frente do laboratório de pesquisa têxtil NUNO –palavra que significa tecido, em japonês, e se pronuncia ‘nunô — Reiko Sudo realiza um trabalho experimental que consiste em misturar materiais, técnicas e processos, para criar tecidos sustentáveis, intrigantes e únicos. Em muitos deles, técnicas ancestrais da tecelagem oriental são reinterpretadas com tecnologia de ponta.

    O resultado é tão revolucionário que é reconhecido internacionalmente por ampliar as fronteiras do design têxtil contemporâneo. 

    Fotografia mostra mulher japonesa olhando para um tecido transparente com textura. Outros tecidos aparecem ao fundo.
    A designer japonesa Reiko Suda em meio a alguns dos seus tecidos sustentáveis. Foto: Alisson Louback

    Adélia Borges, crítica e historiadora de design que assina a curadoria da mostra em parceria com a consultora Mayumi Ito, comenta: “me encanta essa qualidade do design japonês de se basear na tradição para dela extrair uma inovação muito grande. Não há rompimento, há uma continuidade.”

    A dupla de curadoras selecionou 35 tecidos para a exposição, com matérias-primas incomuns como fibra de bananeira, papel, aço inox, e plástico; ou convencionais, como seda, feltro, algodão e poliéster. As técnicas utilizadas na fabricação desses tecidos variam entre o manual e o industrial. Os toques poéticos ficam por conta de tingimentos feitos à partir de ferrugem, dobraduras em formato de origami e até mesmo da inserção de plumas.

    Foto de ambiente com grandes painéis de tecidos sustentáveis  pendurados.
    Na Japan House, os tecidos sustentáveis de Reiko Sudo foram expostos em grandes painéis. Foto: Alisson Louback

    A variedade e a beleza das tramas encanta o olhar e convida ao toque. Por isso, Adélia Borges e Mayumi Ito disponibilizaram, em um mural, pedaços dos artigos podem ser tocados pelos visitantes.

    A expografia, idealizada por Pedro Mendes da Rocha, explora o caráter ancestral da tecelagem na história da humanidade. Dos galhos de uma árvore estilizada, pendem os tecidos inovadores.

    A relação entre corpo humano e tecido remonta aos primórdios da civilização. O tecido é o primeiro abrigo do homem. Quando ele começa a se cobrir com peles de animais para se proteger do frio, cria a primeira interferência de design sobre o corpo”, explica Adélia Borges. 

    Tecidos sustentáveis e inovadores

    Em termos de sustentabilidade, há tecidos feitos com materiais que seriam descartados, como o kibiso, invólucro do casulo da seda, que por ser uma parte mais rígida, era usado apenas em produtos de baixo valor agregado. Através de pesquisas, a equipe da NUNO conseguiu que a fibra do kibiso chegasse a um décimo da sua espessura original, ganhando maciez,  flexibilidade e novas possibilidades de uso. Outro exemplo é o reuso de tecidos encalhados, reinventados numa espécie de patchwork contemporâneo.

    Foto mostra detalhe de tecido reciclado de feltro colorido.
    Tecido reciclado de feltro na exposição NUNO. Foto: Alisson Louback

    Por considerar essencial o processo de criação dos tecidos, Adélia Borges incluiu na mostra, vídeos e um mural, que exibem várias etapas da pesquisa têxtil. “Design não é uma inspiração que cai do céu, há um desenvolvimento, um método. Inclusive, vários desses tecidos possuem patentes, mostrando que há um grau de inovação muito alto”, diz.

    A programação contou, ainda, com o seminário Diálogos Nipo-Brasileiros – Poéticas Têxteis Contemporâneas. “Fala-se muito sobre os caminhos dos estilistas, sobre o design de mobiliário, mas não sobre tecidos. O têxtil é um tema muito pouco debatido”, diz Adélia. 

    Foto de tecido sustentável vermelho vazado
    Tecido sustentável feito com fitas. Foto: Alisson Louback


    Um versão dessa matéria foi publicada originalmente na coluna sobre moda sustentável do site BEMGLÔ.


  • Princesa Diana, um ícone de estilo

    Princesa Diana, um ícone de estilo

    No aniversário de 20 anos da morte da Princesa Diana, o portal de casamentos iCasei me pediu uma matéria sobre a evolução do estilo de Lady Di. Apesar de nunca ter sido fã da monarquia britânica, gostei de pesquisar os looks e de entender como foi que a garota tímida, fã de vestidos cheios de babados, se tornou a mulher sexy e segura de si que circulava no jet set mundial. Confira a seguir!

    Princesa Diana: um ícone de estilo que jamais será esquecido

    Vinte anos após a morte da Princesa Diana, revisitamos o estilo da inglesa que se tornou referência de elegância e fonte de inspiração para as mulheres

    “Vinte anos após sua morte, a Princesa Diana está sendo reconhecida como uma das mulheres mais bem vestidas da história, ao lado de ícones como Jackie Kennedy e Audrey Hepburn.” Quem afirma isso é Eleri Lynn, curadora da exposição Diana: Her Fashion Story, inaugurada em fevereiro deste ano no Kensington Palace, em Londres.

    A exposição está centrada na evolução do estilo de Diana, de jovem bem-nascida e retraída, adepta de roupas românticas com muitos frufrus, até a mulher elegante e segura que se tornou antes de morrer, tragicamente, num acidente de carro em Paris, aos 36 anos. Para entender esta trajetória, é preciso contextualizar as circunstâncias em que Diana Frances Spencer foi catapultada para a fama.

    Em fevereiro de 1981, quando seu noivado com o Príncipe Charles foi anunciado pelos porta-vozes da realeza britânica, Lady Di passou a ser o centro das atenções da imprensa de grande parte do mundo. Até aquele anúncio, o casal havia se encontrado apenas 12 vezes.

    Poucos meses depois, em julho de 1981, a jovem de 20 anos entrava na Catedral da Saint Paul, em Londres, vestida de noiva, para protagonizar o maior casamento real do século 20. A cerimônia reuniu 3.500 convidados e foi transmitida pela TV para cerca de 1 bilhão de pessoas.

    Lady Di e o visual princesa romântica

    Era uma outra época. Não existiam stylists a serviço das famosas para vesti-las de forma impecável em qualquer tipo de evento. A Princesa Diana teve que se virar sozinha, com a ajuda dos costureiros que tradicionalmente vestiam a nobreza e a família real, como David Sassoon, da Bellville Sassoon, Victor Edelstein e Gina Fratini. Neste período, prevaleceram looks românticos com muitos babados, saias rodadas e brilhos, com um visual típico de princesa de conto de fadas.

    O glamour maduro da Princesa Diana

    Mas Diana logo percebeu que aquele estilo cheio de adereços e mangas bufantes não era fotogênico. Por volta de 1985, com a ajuda da designer francesa Catherine Walker (que desenhou mais de 500 vestidos para ela), desenvolveu um novo visual, com roupas minuciosamente modeladas para que fotografassem bem em todos os ângulos. A silhueta passou a ser limpa e mais ajustada, com um glamour adulto e refinado. Victor Edelstein e Versace foram outras grifes escolhidas por Diana neste período.

    As mudanças de estilo foram percebidas pela mídia e pela audiência. Lady Di passou a chamar mais atenção do que o Príncipe Charles nas aparições públicas. No ano de 1994, o guarda-roupa da princesa tinha muitas centenas de vestidos e um valor estimado de 1 milhão de libras. Em contrapartida à cifra astronômica, considera-se que a Princesa Diana foi a maior divulgadora da moda britânica.

    Estilo, caridade, separação e ousadia

    Por volta de 1992, Lady Di tinha consciência de que era uma das mulheres mais fotografadas do mundo, dominava sua imagem, e era admirada, não só pela beleza e estilo, mas pelo trabalho de caridade, apoiando causas como a luta contra a AIDS e o combate às minas terrestres. O casamento, no entanto, estava em ruínas desde a metade da década de 80. Em 1992, ela e Charles se separaram. O divórcio foi concluído em 1996.

    Depois disso, a Princesa Diana se viu livre para aperfeiçoar sua imagem, sem as restrições impostas pelo protocolo da família real, que pregava um corpo sempre coberto e os não permitia decotes. Ela passou a usar peças de designers de várias nacionalidades e explorou mais a sensualidade, sem exageros. Adorava mostrar os braços bem torneados e as costas atléticas. Por isso, vestidos tomara-que-caia, modelos com um ombro só, e decotes nas costas eram escolhas frequentes.

    Outro fator fascinante sobre o estilo da Princesa Diana é que, mesmo fazendo parte da nobreza e tendo que seguir muitas regras e tradições, ela se divertia com a moda e chegava até mesmo a ousar. Lady Di foi a primeira pessoa da família real a ser fotografada usando calças compridas num evento noturno, por exemplo.

    Princesa Diana usa tailleur com calças compridas em evento social
    Princesa Diana usa tailleur com calças compridas em evento social

    Em 1982, durante a turnê real pela Austrália, Diana usou uma gargantilha de diamantes e esmeraldas como tiara, no meio da testa. Será que a Rainha Elizabeth aprovou? Tenho minhas dúvidas.

    No mês de maio de 1996, a Lady Di causou furor ao comparecer ao tradicional Baile de Gala do Metropolitan Museum, um importante evento da indústria da moda, usando um vestido-camisola de John Galliano, então recém-contratado pela Maison Dior. Dizem que ela estava preocupada com o que seu filho William pensaria daquele visual desnudo.

    Lady Di usa vestido camisola de John Galliano, estilista da Dior, na época.

    Em resumo, pode-se dizer que Lady Diana Spencer soube desenvolver uma elegância muito além das tendências do momento, de acordo com sua personalidade. Isso, junto com o seu inegável carisma, transformou-a num ícone de moda – não da moda. Tanto é assim que, nas fotos dela, sempre enxergamos primeiro a mulher e, depois, a roupa.

    Princesa Diana usa vestido de noite branco e rosa.

    Por Biti Averbach
    Publicado originalmente no site iCasei em 30/08/2017.
    Fotos: Reprodução